IRENA 2024/25: números claros e chaves para a América Latina

A energia solar e a eólica chegam com números favoráveis. Na América Latina, precisam de políticas claras e de atualização tecnológica que as acompanhem.

Ing. Felipe Griet

7/25/20253 min ler

aerial photography of grass field with blue solar panels
aerial photography of grass field with blue solar panels

A Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) publicou seu último relatório, “Renewable Power Generation Costs in 2024/2025” (Custos de Geração de Energia Renovável em 2024/2025), no qual analisa a evolução dos custos das principais tecnologias renováveis a nível mundial e seu papel na transição energética.

Uma das descobertas centrais é que o custo médio da energia solar fotovoltaica e da eólica terrestre continua diminuindo, o que as torna as fontes mais baratas para novas instalações na maioria dos mercados. A energia eólica offshore (marítima) e a termossolar, embora ainda apresentem custos superiores, mostram melhorias contínuas graças a inovações tecnológicas, economias de escala e processos de instalação mais eficientes.

O estudo também destaca a competitividade frente aos combustíveis fósseis: na maior parte do mundo, o custo nivelado de eletricidade (LCOE) das renováveis se encontra abaixo do de novas centrais a gás e carvão. Isso reforça a ideia de que investir em energias renováveis não é apenas uma decisão ambiental, mas também uma estratégia economicamente racional. No gráfico a seguir, pode-se observar como o LCOE se reduziu ao longo dos anos.

Outro aspecto fundamental é a heterogeneidade regional. Os países com maiores recursos alcançam custos recordes baixos, enquanto, em mercados emergentes, os riscos financeiros elevam os custos de capital e encarecem o LCOE. Isso evidencia a importância de gerar condições de financiamento acessíveis e políticas estáveis que permitam acelerar a implantação de energias renováveis em todo o mundo.

Para 2025, a IRENA projeta que a energia solar fotovoltaica continuará ficando mais barata e que a eólica offshore (marítima) terá um papel crescente na Europa e na Ásia, com reduções progressivas em seus custos. Além disso, tecnologias como a geotermia e a bioenergia começam a ocupar espaços estratégicos na diversificação das matrizes energéticas.

Na América Latina, o custo acompanha; o resultado depende da execução. A região combina recursos em quantidade, mas o custo do dinheiro, as taxas de câmbio e a transmissão saturada podem apagar a vantagem. O caminho: Baterias para diminuir o pico de energia, ferramentas digitais para despachar melhor cada MWh e projetos híbridos que aproveitem a mesma interconexão. Se somarmos financiamento acessível, regras claras e datas de conexão que sejam cumpridas, a competitividade chega ao usuário.

Em conclusão, o relatório da IRENA traz um argumento econômico sólido para incorporar nova capacidade, especialmente em economias desenvolvidas, onde o capital barato e as redes maduras permitem capturar plenamente essa vantagem de custos. Nas economias em desenvolvimento, o desafio é fechar a lacuna de financiamento e acelerar a infraestrutura. A etapa seguinte é habilitadora: financiamento competitivo, armazenamento e digitalização que proporcionem flexibilidade e redes capazes de integrar mais geração sem gargalos.

Fonte: IRENA, “Renewable Power Generation Costs in 2024/2025”

À medida que a capacidade renovável crescer nos próximos anos para cumprir objetivos climáticos, tecnologias facilitadoras como o armazenamento em baterias, a digitalização e os sistemas híbridos serão cada vez mais vitais para integrar energias renováveis variáveis, melhorar o desempenho dos ativos e aprimorar a resposta da rede. Embora persistam desafios — acesso a financiamento, atrasos em licenças, gargalos na cadeia de suprimentos e riscos geopolíticos —, um maior alinhamento entre políticas, regulamentação e investimento é essencial para acelerar a transição.